Boa tarde!
Muitas vezes quando eu escrevo, alguns me perguntam: Natália, isso é verdade? Ficção? De onde vem? E o que eu respondo?? Bom, de tudo um pouco. As vezes é de verdade, as vezes não é.
Essa crônica, eu já estava com vontade de escrever a muito tempo, porém eu não podia, por um simples motivo... não saber se ainda existia alguém.
Tudo começa quando desço do ônibus, quase no mesmo horário, todo dia. Espero dez segundos no máximo e a sinaleira fecha para os carros, e eu atravesso a rua.
Caminho mais uns trinta ou quarenta metros, e começo a passar por um prédio residencial que faz esquina com a rua onde até então estou morando.
Lá nesse prédio, reside uma senhora, bem velhinha, com o cabelo bem branco, aliás, acho isso muito bonito. Ela fica parada na janela, olhando as pessoas que ali passam.
Certo dia, passei ali e fui arrumar meu cabelo e essa senhora me abanou, olhei e sorri, abanei de volta.
Isso aconteceu mais algumas vezes, e por algum motivo que desconheço, isso virou rotina. Passava pelo prédio dela, e ela sempre me abanava.
Até que então, um dia ela não estava lá. E passaram-se mais alguns dias, semanas.
Confesso que fiquei triste, imaginando que ela poderia não estar mais ali.
Um grande sonho meu, é ir conversar com ela.
Ela tem uma cara de filha de imigrantes, garanto ter muitas histórias bem legais para contar, ou simplesmente uma companhia para o final de tarde.
Mas ontem, ela voltou a fazer eu dar uma boa risada. Ela estava na janela, cheia de saúde e alegria, me abanou bem faceira, e posso parecer boba, mas enchi o meu olho d'água.
Queria muito um dia poder perguntar das suas histórias, e dar uma boa risada. Até porque ela é uma "velhinha" bem ativa e faceira, tem cara de ser bem agitada, o que se assemelha um pouco comigo.
Talvez um dia eu tenha esse privilégio, afinal, os nossos idosos trazem sabedoria e conhecimento bem mais interessantes que os livros, pelo menos ao meu ponto de vista.
Gostaria de conhecê-la, fazer uma entrevista, por assim dizer, e desvendar todas histórias que ela tem para contar. Um dia farei.
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