quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O casal da minha rua

Ela, uma mulher linda, bem resolvida aparentemente.
Ele, um menino da moda, mas apenas um menino.
A mulher casada, muito bem casada. 
Ele, um solteiro no mundo em busca de novas aventuras.
Os dois com jeitos bem diferentes. Manias distintas.
No almoço, eu os observava-os com um ar diferente.
Eles se olhavam. Apenas isso.
Na verdade reparei apenas em  dois olhares, um dela, e um dele.
Nunca haviam trocado uma sequer palavra até então. E hoje isso mudaria.
Eles se esbarraram, bateram-se, e surgiu um princípio de conversa, mas ela, cheia de compromissos, atendeu o telefone e foi resolver os seus problemas.
Há aqueles que afirmam que não existe paixão ou amor a primeira vista. Mentira, existe sim.
Ele mandou um recado embrulhado em um chocolate, entregaram no escritório onde ela trabalhava.
Ela, ficou surpresa. Gostou.
Não sabia quem tinha enviado isso à ela, mas de qualquer forma, comeu o chocolate.
No outro dia, ele sentou-se em sua mesa, e logo após ela sentou ao seu lado. Agora sim, conversaram.
Ela sabia que ele olhava para ela de uma maneira diferente.
Passaram a sentar juntos todos os dias, virou uma rotina.
Pela personalidade que percebi nela, essa rotina não iria durar muito.
Me enganei, durou bastante tempo.
Passaram a ficar tempo e tempo juntos. Até que um dia não vieram almoçar. Os dois chegaram juntos aos seus trabalhos. Tudo seguia normalmente como nos outros dias.
No dia seguinte me atrasei para o almoço, fiz minhas coisas como de praxe, sentei um pouco em um banco de uma praça, estava um dia de sol lindo, céu azul. Encontrei com os dois no mesmo ambiente em que eu estava. Estavam como um casal apaixonado. Abraços e beijos, típico de um casal de de 18 anos, e naquele momento eles realmente possuíam 18 anos.
Confesso que achei estranho, e fiquei imaginando o porque daquilo tudo. Os dois casados. Ela mulher feita, e ele um rapaz com alguns sonhos e expectativas.
Atração física? Apenas diversão? Será que já se conheciam? Vingança para alguém? Desejo, tesão, vontade? Infelicidade?
Ao certo ninguém saberá. Muito menos eu, que apenas vi. Vi algo que estava brilhando e estampado na testa deles, mas que ainda não foi possível decifrar.
Hoje, eles continuam assim, até onde eu sei. Dois amantes da vida, cada um no seu lugar, com seus compromissos e com os desejos e vontades mais profundas, e que nunca ninguém nem sequer irá imaginar.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Lembranças do que foi bom

Estava em meus aposentos, quando me enviaram um pedaço de uma história que escrevi, e me perguntaram, sabes quem escreveu? Com emoção nos olhos respondi que sabia.
Um final de um romance, mas que para alguns não representou um "fim".
Certa vez, em uma boa conversa, me falaram que valia a pena dizer tudo o que tínhamos vontade, e que o máximo que podia acontecer, era conviver com uma esperança, uma expectativa que podia vir a nunca dar certo.
Apenas concordei.
Na verdade dizer tudo o que pensamos é complicado, complexo demais. Ora pode ser bom, ora ruim. Varia de pessoa em pessoa. As vezes eu não digo, posso machucar alguém assim. As vezes eu digo, e me decepciono. E as vezes fico feliz com a resposta ou reação.
Lembrar daquilo que passou é bom. Conversar a respeito de coisas bobas, de momentos bons, de momentos nem tão bons assim, de cenas, pessoas. Lembrar é uma dádiva.
Uma vez eu li: "Eu errei, e hoje não tenho como concertar. Mas o que ninguém pode fazer, é tirar as lembranças que eu tenho, e elas me fazem sorrir e ver que tudo valeu a pena".
Logo penso: Que boas essas lembranças, para arrancar sorriso do rosto de alguém, pelo simples fato de um dia ter existido. De apenas um momento vivido.
Querendo ou não, o que mais mexe é a paixão, amor. Provável que quem escreveu se referia a isso. Algo que para sempre irá ficar marcado. Lembrando que o sempre é muito tempo, e nem há como medir.
Confesso que fiquei pensando qual seria o erro dessa pessoa para que não houvesse solução. Sempre há solução. E o primeiro passo para isso é acreditar.
O erro do qual foi falado, nunca saberemos. Mas o interessante é que mesmo sabendo que não há muito o que fazer, as lembranças são boas e intensas ao ponto de trazer sorriso e felicidade ao rosto desse alguém desconhecido.
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